Equilíbrio 26 de janeiro de 2016 Tags: , ,
Por Ane

almoço

Uma amiga muito querida faleceu. Não era a minha melhor amiga, era bem mais velha que eu, mas tínhamos uma relação muito forte. Ela era daquelas pessoas autênticas, considerada difícil por alguns. Mas que quando se sentia confiante numa amizade se entregava de uma forma muito verdadeira e empática.

Ela me deu vários conselhos que guardarei para toda vida, tinha uma preocupação e carinho quase maternais e mesmo quando de longe, procurava saber o que estava se passando comigo. Eu adorava a sua companhia e as nossas conversas. Como ela contava sobre as viagens (ela vivia para viajar) e como se preocupava com a minha caminhada.

Trabalhamos juntas durante um tempo, depois a vida me levou para outros caminhos. Há tempos estávamos combinando um almoço. Ela queria muito que eu experimentasse suas iguarias (amava cozinhar!), mas sempre acontecia alguma coisa e adiávamos o nosso encontro.

No semestre passado ela quis que nos encontrássemos várias vezes, mas eu – tola e relapsa – com a mudança de emprego e com a minha rotina totalmente modificada, fui deixando para depois. Afinal teríamos todo o tempo do mundo.

No dia 06 de janeiro ela se foi. Não pude ir ao sepultamento, pois não conseguiram me avisa a tempo, uma vez no meu local de trabalho não pega sinal de celular. Em novembro ela descobriu um câncer e não contou para ninguém. Estava se cuidando, mas por outras complicações acabou falecendo.

Por que não fui almoçar com ela? Por que não disse com todas as letras o quanto ela é importante para mim e o quanto me ensinou (mesmo que ela me chamasse de brega sentimental e me desse um tapinha – afinal esse era o seu jeito). Por que mesmo quando estamos tentando ficar atentas/os ao que é importante ficamos cegas/os diante do óbvio: temos que priorizar nossas relações.

Chorei, fiquei muito triste com a sua partida. É como se um porto seguro que eu sabia que estava ali não existisse mais. São Paulo pode ser uma cidade muito difícil e tenho algumas pessoas (ela era uma delas) que fazem com que me sinta mais acolhida e amparada.

Depois do choque inicial, me senti extremamente grata por ter tido a oportunidade de conviver com ela. De ter conseguido ultrapassar as barreiras e ter conhecido a pessoa maravilhosa, generosa e autêntica que ela foi. Tive muita sorte.

A rotina é pesada, estamos sempre correndo atrás de mil coisas, mas as pessoas que amamos morrerão! É um fato e temos que começar a lidar com isso. Não estou dizendo que amanhã nossos/as amigos/as, familiares e afins não estarão mais conosco, mas é hoje, é no presente que estamos construindo nossas lembranças para quando esse dia chegar. E para que estejamos fortalecidos/as e sem remorsos quando esse tempo difícil vier, temos que emanar amor e presença agora.

 

Dedico este texto para minha família amada, minhas amigas e meus amigos queridos e especialmente para Mariana, que onde quer que esteja sabe o quanto penso nela de uma forma amorosa e cheia de gratidão.