Feminismo 8 de março de 2016 Tags: ,
Por Ane

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Oito de março. Dia de luta.

Amiga, esse texto é para você. É para todas nós, mulheres (pelo nascimento ou pela identidade de gênero) que dia a dia passamos por tantas dificuldades e opressões.

Desde já gostaria de deixar claro que não quero dizer que todas passamos pelas mesmas opressões e violências. Não! Cada mulher tem a sua subjetividade e as questões de raça/etnia, classe, sexualidade, idade e religião entornam esse caldeirão, muitas vezes de maneira cruel. A interseccionalidade deve ser levada a sério, e temos que saber calar e ouvir atentamente quando uma mulher fala de um lugar que não é nosso.

Desde criança aprendemos sobre a fraternidade: aquele sentimento de solidariedade entre os homens… Já o termo sororidade é novo por essas bandas. As duas palavras vêm do latim: frater quer dizer irmãos e sóror irmãs. O movimento feminista têm falado bastante da importância da sororidade, ou seja, da solidariedade e companheirismo entre as mulheres. Uma mudança de paradigma, já que sempre nos ensinaram que as amigas também podem ser rivais. Quem nunca invejou a “amizade verdadeira” dos meninos, na infância? Ou mesmo na vida adulta?

A sociedade me ensinou que a garota ao lado pode ser uma ameaça. Pode querer meu namorado, pode ser mais bonita do que eu, pode ser a “culpada” pelo meu fracasso. Quem não se lembra das brigas de garotas no colégio por causa dos meninos? E das novelas que sempre ensinaram (e continuam ensinando) que as mulheres fazem “maracutaias” para se sobressair às outras?

Aprendi que as outras garotas podem ser um perigo porque também aprendi a não acreditar em mim mesma, em todo o meu potencial. Todas (ou a grande maioria de) nós aprendemos. Padrões irreais de comportamento, beleza e expectativas que nos massacram diariamente. Desde pequenas. Meninas em formação, que não aprenderam a perdoar suas fraquezas, suas imperfeições (quem é perfeita?) e suas singularidades. Como poderíamos ser solidárias com as outras garotas se também éramos (somos) cruéis conosco mesmas?

E assim quem ganha é esse sistema patriarcal e heterossexista, que continua propagando violências diárias contra todas nós. A luta feminista deve passar, obrigatoriamente, pela solidariedade e união entre as todas as mulheres. Não só entre nossas amigas feministas (nem isso é tão fácil, vide as discussões dentro do próprio movimento), mas também com aquelas que ainda não se deram conta de como isso é importante. Prestar atenção na maneira como falamos de e com outras mulheres, em como agimos. Estar de forma empática nessas vivências femininas.

Sororidade não quer dizer que vamos concordar com tudo que uma pessoa fizer, caso seja mulher. Quer dizer que vamos nos fortalecer mutuamente contra os desrespeitos e violências pelas quais passamos, buscando construir uma rede de apoio que nos empodere cada dia mais. Estando atentas para diversas atitudes machistas veladas que ocorrem diariamente (e que às vezes nós mesmas reproduzimos).

Então ficamos combinadas: que possamos ouvir e legitimar as demandas de companheiras com vivências diferentes das nossas; que esse olhar de solidariedade possa ser dado para todas as mulheres, e não de maneira seletiva. E que tenhamos esse olhar carinhoso com a gente mesma, também. Contaram pra gente a história da rivalidade feminina. Bora mudar esse enredo?(que ele já está muito démodé).

 

 

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